Eu ainda tô tentando entender/processar 2017 na minha cabeça até hoje, mas preciso começar o ano dividindo com vocês uma das melhores coisas que o ano passado trouxe pra mim.

Durante várias das conversas que tive com minha mãe ao longo do ano, eu fui notando que, o tempo todo, eu a estimulava a pensar velhos conceitos de forma nova e quando eu percebi que isso tava acontecendo, deu aquele estalo e a reflexão se tornou ainda maior.

Até quando a gente vai aceitar a ideia da família feliz do comercial de margarina  ao invés de aceitar que não existe um encontro de família no natal sem que um babado forte tipo casos de família esteja pendente para ser resolvido?
E até quando a gente vai acreditar que existe "alma gêmea" e par perfeito, sendo que nem a perfeição existe, quem dirá pessoas perfeitas?

O grande lance é entender que, se você aceita que sua família tem problemas  (como todas ao redor do mundo) ao invés de negligenciar a existência dos problemas, suas atitudes serão diferentes, já que você vai preferir criar plantas ao invés de expectativas.

A mesma coisa para relacionamentos afetivos: ao longo do ano que se passou, acompanhei de perto um momento de dor e sofrimento de uma amiga ao descobrir uma traição e não saber como lidar com algo tão inesperado.
Mas afinal, o que é esperado? Que a gente conheça pessoas e que elas sejam perfeitas, nos trazendo café da manhã na cama todos os dias (com uma florzinea na bandeja, por favor), que esteja sempre disposta a realizar nossas vontades e nos complete, atendendo a todos os nossos requisitos?

Sério: você já parou pra pensar que muita coisa que você (acha que) acredita talvez não faça o menor sentido porque só fazia sentido na cabeça de uma pessoa, anos, séculos atrás e, sei lá porque, acabou virando verdade absoluta?

Como os formatos de relacionamentos, por exemplo: por alguma razão (provavelmente comercial), decidiu-se no passado que uma imagem de relacionamento ideal tem que ter duas pessoas sempre felizes sendo eternamente devotas uma à outra por todo o sempre amém e que famílias precisam sentar ao redor de uma lareira no natal e todo mundo vai estar feliz e sorrindo.
Esse imaginário ajuda a gente a encarar as coisas tristes da vida real, mas a gente precisa ter consciência de que também pode nos prejudicar se a gente não pensar por conta própria nos formatos de relacionamentos que a gente quer ter, seja em família, seja com amigos, seja num relacionamento a dois (ou a três, quatro...).

Veja bem: não quero pagar de vanguardista/malucão/libertário, afinal, eu nem me vejo num relacionamento poliamoroso, por exemplo, mas também não vejo como algo errado, afinal, o que me dá o direito de julgar algo que eu sequer provei?
Inclusive a questão nem é essa, mas sim entender que se basear em opiniões pré-formatadas anula o que a gente tem de mais lindo e poderoso enquanto ser humano: a liberdade de pensamento.
Não estou defendendo a traição quando falo que a gente tem que aceitar que ninguém é perfeito, por exemplo, mas sim, tentando dizer que o que se vê como traição de forma geral talvez não seja o que você consideraria traição, caso se permitisse pensar por conta própria e, com isso, muito sofrimento poderia ser evitado.
Talvez seja muito polêmico usar traição como "exemplo", então, faça a mesma reflexão com a forma como você enxerga seu corpo -você tá realmente insatisfeito com ele ou tá só incomodado porque o mercado precisa que você compre suplementos em lojas fitness e, pra isso, diz o tempo todo que é feio ter curvas ou celulite ou qualquer outra coisa que todo mundo tem e as revistas fazem questão de mentir pra gente com pessoas ~photoshopadas~ na capa?
Deu pre entender? (espero que sim. Se não, a gente continua o papo na caixinha de comentários)

E o que me faz ter certeza que pensar por conta própria o que você quer da vida só traz benefícios?
Bem, eu vi nos últimos anos minha mãe passar de uma mulher triste e acorrentada num relacionamento abusivo (de todas as formas possíveis) a uma pessoa babaca por acreditar que ela precisava de um papel para ser uma pessoa mais feliz e completa, para poder ser aceita socialmente em uma comunidade chamada igreja, enquanto ela se sentia mais ferida e incompleta por dentro, sendo cada vez menos ela, até que finalmente o jogo virou e, hoje, depois de muitas conversas tipo essa que estou tendo com você que tá do outro lado da tela, eu posso ver a força e o brilho no olhar da minha mãe novamente, após entender que julgamentos externos não importam, afinal, o que vale é o que a gente sente por dentro, e que o meu formato de relacionamentos provavelmente não serve pra você, afinal, a gente é diferente. Cada pessoa é única e isso faz com que cada história entre você e as pessoas que fazem parte da sua vida seja única também.

Que 2018 te traga mais reflexões e te ajude a enxergar a beleza da pessoa única que você é.

Beijos do Math, feliz ano novo e até a próxima!

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