Você já parou pra pensar qual seria o valor real de cada uma de suas peças de roupa se considerássemos apenas os custos de produção?

Quando compramos uma roupa ou um acessório, estamos pagando, além do custo da peça em si, por valores operacionais e intangíveis associados a marca, design (mesmo que a peça seja uma réplica), além da fatia que é destinada aos lucros da empresa, impostos e outras 57896459750487 taxas que estão sempre embutidas -e que nem notamos.


Bora imaginar uma historinha aqui, amiguinhos?
Faz de conta que você pegou uma foto daquela atriz com look baphão no red carpet, comprou um pedaço de tecido e levou para aquela tia costureira do bairro fazer um igual; provavelmente você estaria gastando menos que se estivesse comprando um "inspired" numa loja de departamento ou butique da cidade, certo?

Agora, façamos as contas: se ela fez uma única peça pra você, temos aí um certo caráter de "exclusividade", certo? Afinal, ela dedicou horas a desenvolver a modelagem da peça que seria executada apenas uma vez pra você (ao invés de reproduzir várias cópias), logo, deveria custar mais caro, até porque as grandes redes compram tudo em grande quantidade -pagando beeeem menos- e fazem tudo em larga escala, o que sempre reduz o valor final dos produtos.
Então, como pode a peça "personalizada" custar menos?

A conta não bate, amigues!
Então, onde entra essa diferença aí, Brasil?
Alguém sai prejudicado e você já dever ter uma ideia de quem é...


Não é novidade pra ninguém que a indústria da moda -particularmente das grandes redes de fast fashion- utiliza-se de mão de obra mal remunerada (pra não dizer escrava mesmo) visando alcançar lucros cada vez maiores, e é exatamente essa realidade que o reality show online Sweatshop - Deadly Fashion (que viralizou ontem na web), produzido pelo jornal norueguês Aftenposten, mostra: a cruel verdade por trás da cadeia de produção na indústria da moda.

O programa mostra três jovens noruegueses (entre eles, uma blogueira de moda) vivenciando a dura realidade do dia-a-dia de quem está por trás das máquinas que costuram os must haves que estão nas araras das lojas.

No decorrer dos cinco capítulos, Frida Ottesen, Anniken Jørgensen e Ludvig Hambro entram em contato com as injustas condições de vida sob as quais os operários de uma fábrica no Camboja são submetidos todos os dias, recebendo apenas U$3 por dia e trabalhando constantemente sob pressão.

Um dos momentos mais tocantes da série é quando Anniken pergunta a Sokty -uma das operárias onde o trio de jovens passou parte de um dia e uma noite- se ela é feliz com a vida que tem e ela responde que não.
Os jovens ficam surpresos com a resposta, pois Sokty está sempre sorrindo.

Não tem como não sofrer ao ouvir o relato de um dos operários (que por medidas de segurança, não revelou sua identidade) ao afirmar que sua mãe morreu quando ainda era criança por sua família não ter dinheiro pra comprar comida.

Veja o trailer a seguir:

[Assista a série completa (são apenas 5 capítulos de 10 minutos cada) clicando aqui.]

Meu objetivo ao compartilhar esse material não é apontar ninguém ou gerar alienação, apenas apresentar uma realidade que possa gerar reflexão sobre a forma como compramos, que tem se tornado cada vez mais desenfreada e inconsequente, devido a influências externas, principalmente da mídia.

A pergunta que fica é o que poderíamos fazer pra mudar, afinal, ao mesmo tempo que nos conscientizamos desta realidade, nos deparamos com o fato de que, no mundo atual e com as reais condições da grande maioria da população, seria essa a opção mais barata e "viável", principalmente nos grandes centros urbanos.

Ao falar sobre o documentário, muita gente fez críticas diretas ao sistema capitalista, mas a verdade é que em países com economia socialista também existem trabalhadores vivendo realidades muito semelhantes a essa.

Você está defendendo o capitalismo, Math?

Olha, amigue, seria tão complexo falar de posicionamento socioeconômico aqui que a melhor opção seria criar um blog novo, viu...
Mas eu acredito que o X da questão são as pessoas por trás disso tudo, afinal, são pessoas que movimentam e mantém vivo um sistema, certo?
Por trás de Forever 21, Zara, H&M, C&A e tantas outras redes similares, existem pessoas que deveriam pensar mais em sustentabilidade social ao invés apenas desejarem lucros cada vez mais astronômicos e surreais.

Além disso, temos que ficar mais atentos ao nosso comportamento também, afinal, de nada adianta tomar conhecimento de um fato como esse se não refletirmos sobre e pensarmos no que poderia ser feito pra mudar.

Agora eu quero saber o que vocês acharam do documentário e o que pensam sobre o tema.
Vamos conversar sobre?
É só usar a caixinha de comentário aqui em baixo.

Bjs do Math!

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