Math

31 anos, artista visual de alma brasiliense, nascido no Piauí; criando conteúdo para a internet há 9 anos e ajudando pessoas a transformarem vivências em pequenas experiências e instantes de cor, brilho e amor.

@blogdomath

5 séries de suspense/horror para entrar no clima do halloween

5 séries de suspense/horror para entrar no clima do halloween

Quando me apresento nos lugares, gosto de começar falando -propositalmente- que sou apaixonado por séries de criminologia e filmes de psicopatas; eu amo observar como, à medida em que as pessoas percebem que o julgamento que fizeram de mim -baseado apenas no meu gosto por determinado gênero cinematográfico- estava completamente errado, elas se surpreendem.

A surpresa é compreensível, já que eu sou uma pessoa super solar, mas a verdade é que, para um filme ou série me segurar por mais do que cinco minutos sem que eu durma ou morra de tédio, ela precisa ter boas peças que se encaixem e um tom de mistério -e é exatamente sobre isso o post de hoje: usando o fato de que estamos no mês do halloween como desculpa, montei uma lista das últimas séries que gostei de assistir, todas nesse mood enigmático, pra você ir maratonando e entrando no clima...

A lista foi feita depois que eu decidi tentar, por pura curiosidade, dar uma oportunidade para algumas séries da Apple TV+ -e gostar.
Como gosto é algo bem subjetivo, eu coloquei na lista, de forma bem simples e descomplicada, o que eu curti e o que não gostei em cada uma das indicação, dando pistas do que você pode esperar de cada uma delas.

Pra deixar o post mais divertido, inspirado numa lista do The Every Girl, eu fiz uma escala do quão assustadora/freak é cada indicação, sendo 👻  mais leve e 👻👻👻👻👻 bem assustador.

Home Before Dark


Começando a lista de indicações com uma produção de suspense mais levinha, que dá até pra assistir em família, vamos falar sobre Home Before Dark, uma original Apple TV+, a plataforma de streaming da Apple (não precisa ter o aparelhinho da Apple TV pra assistir, tá? Basta criar um login).

Baseada na história real de Hilde Lysiac, uma jornalista de 9 anos que investiga um crime em seu próprio jornal local, a série mostra uma criança determinada e com um persistente senso de justiça buscando solucionar o desaparecimento de uma criança que movimentou toda a pequena e pacata cidade de Erie Harbor anos atrás

Apesar de a série parecer muito fantasiosa, você precisa entender que as aventuras da criança curiosa que entra em todos os lugares decidida a encontrar respostas realmente aconteceu: Hilde, inclusive, acabou atraindo muita atenção negativa pelo seu trabalho na época, mas ignorou e continuou acreditando e fazendo o que amava, inspirada pelo trabalho de seu pai, um jornalista que a apoia ao longo de toda a jornada na série.
Atualmente, Hilde é a mais jovem integrante da Sociedade de Jornalistas Profissionais, tem sua própria série de livros e, sim, continua atuando como jornalista investigativa (eita menina arretada, viu).

Home Before Dark é uma série policial que fala sobre corrupção e explora os segredos das misteriosas vidas dos habitantes de Erie Harbor de uma forma leve, gostosinha de assistir (era o que eu precisava no momento) e a melhor parte é que pode se tornar, facilmente, um programa em família (pretendo assistir de novo; dessa vez, com o Sander); o ponto alto, definitivamente, é a atuação impecável de Brooklynn Prince, a protagonista que ocupa brilhantemente todas as cenas e ofusca o trabalho mediano dos atores adultos.

À medida em que os capítulos se passam, a gente vai descobrindo que quase nada na cidade é o que parece e, graças a persistência da pequena Hilde Lisko, vamos nos aproximando da verdade e da justiça -inclusive para Sam Gillis, que foi considerado culpado e preso quando tudo aconteceu.

Você não vai encontrar nada super inovador, nem um ritmo super dinâmico (logo no comecinho eu adiante que é uma produção mais leve) -mas vai ter bons momentos de lazer tentando juntar as peças e prever quais os próximos passos na busca de Hilde.

Classificação: 👻 
Tem suspense e mistério, mas nada de grandes sustos

The Purge


Baseada no filme da franquia de mesmo nome, a série se passa no futuro onde, em nome da "melhoria da segurança pública", o governo americano aprova a infame noite do expurgo: durante 12h, os serviços de segurança básicos ficam suspensos e qualquer cidadão americano pode cometer qualquer crime (inclusive roubo e homicídio) sem ser penalizado;


Dentro da lógica da franquia, isso acontece porque foi o mecanismo encontrado pelas autoridades para que os cidadãos liberem seus instintos mais profundos durante uma única noite, reduzindo a violência durante todo o resto do ano.
O grande problema na ficção é o mesmo da vida real: ricos conseguem se proteger, já os pobres... preciso explicar?

A primeira temporada foi bastante criticada por representar apenas violência gratuita, sem nenhuma reflexão (eu discordo) e, a meu ver, a segunda (que comecei a ver recentemente) vem exatamente para explorar melhor a construção da narrativa, dos personagens e dos argumentos que envolvem a história e tudo o que envolve esse evento um tanto quanto bizarro.

Sim, a série tem bastante cenas violentas e sanguinolentas; o mais creepy de tudo pra mim é ver que, dentro da história, algumas pessoas encaram a data como um feriado e se preparam para a ocasião como se estivessem organizando a ceia do Dia de Ação de Graças -o pior de tudo é ver grupo de pessoas ricas se reunindo para expurgar pessoas pobres, negras, latinas e integrantes de outros tipos de minoria em rituais que mais parecem culto de uma seita onde todos são sociopatas e enxergam a ocasião com uma naturalidade assustadoramente aburda. 

Pra mim, um dos pontos mais relevantes da franquia é exatamente o fato de que, em diferentes níveis e aspectos, ela escancara as diferenças sociais que os americanos encaram em seu dia-a-dia;
Uma das críticas que li sobre a série diz que The Purge tem um ritmo urgente e eu acho que é exatamente sobre disso que a produção trata: velocidade, pressa e agilidade para sobreviver.

Classificação: 👻👻👻
Tem cenas bem pesadas e me assusta bastante quando eu traço paralelos com a nossa realidade e percebo que, de certa forma, o mundo já anda bem polarizado como a franquia mostra

Truth Be Told



Poppy Parnel (Octavia Spencer) apresenta um podcast sobre criminologia que se torna um sucesso após a cobertura de um caso de assassinato ocorrido 8 anos atrás, resultando na controversa e questionável prisão de Warren Cave (Aaron Paul).
De volta ao presente, evidências sobre o caso emergem, repercutem e todo o processo passa a ser questionado, inclusive a prisão de Warren, que passa a ter sua culpa questionada e Poppy se vê obrigada a reabrir o caso.

Apesar desse post não ser pautado em críticas (não tenho aptidão para isso), dei um google para saber a opinião das pessoas sobre a série e li relatos como "o roteiro é fraco por optar em fazer as coisas fora da ordem mais óbvia", mas foi exatamente isso o que me fez gostar da série que, a meu ver, explora e desenvolve a narrativa num ritmo mais orgânico, diferente dos frenéticos hits recentes como La Casa de Papel, aprofundando no lado emocional dos personagens já de cara.

Do meu ponto de vista, Truth be Told explora melhor as nuances através da história ao invés de apelar para grandes efeitos visuais e cortes super dinâmicos -escolha que foge da unanimidade atual;
Concordo que a Apple TV+ ainda precisa refinar seus lançamentos e confesso que, em determinado ponto, me senti um pouco confuso com os fatos da narrativa, mas curti acompanhar essa história em tordo de um podcast do meu gênero favorito e acho que é uma boa indicação para quem quer acompanhar um suspense mais suave, que não apela para a violência exacerbada.

Classificação: 👻
Também não achei assustadora, mas curti essa narrativa em torno de um podcast sobre criminologia e a reflexão sobre como o que comunicamos pode interferir diretamente na vida de outras pessoas.

The Servant


Há um bom tempo, eu deixei de curtir/acompanhar produções de horror devido à saturação do formato a partir de meados dos anos 2000 -uma época em que tudo era muito carregado de efeitos especiais super fake; recentemente, tenho notado que o gênero vem ganhando um novo sopro a partir de produções como Midsommar, que coloca o horror em um lugar fora do óbvio, apresentando e desenvolvendo histórias menos previsíveis, num ritmo mais observacional e introspectivo (reparou como as trilhas do gênero mudaram muuuito nos últimos anos?).
Um reflexo dessa "nova fase", onde o que assusta é a naturalidade com a qual os personagens lidam com coisas aburdas e bizarras é The Servant, mais uma produção original Apple TV+.

The Servant conta a história de uma família em crise após a perda de um bebê; por indicação terapêutica -possivelmente num processo sobre aceitação da dor-, o casal adota um bebê reborn (aqueles bonecos hiperrealistas -que na verdade, não me convencem sobre seu realismo e me assustam por parecerem um feto congelado).
O que deveria ser temporário ganha uma virada quando Dorothy Turner (Lauren Ambrose), a mãe -uma jornalista reconhecida-, resolve contratar uma babá para ajudá-la a cuidar de seu "filho" enquanto, aos poucos, retoma o ritmo no trabalho.
Como se tudo isso já não fosse estranho o suficiente, Leanne (Nell Tiger Free) -a babá-, além de ser um tanto quanto misteriosa e enigmática, trata o boneco como um bebê com a maior naturalidade do mundo.

Numa mistura entre suspense, drama familiar e horror, The Servant apresenta toda sua história basicamente num único local -a casa da família- e traz sempre no ar aquele clima de que uma ameaça está no ar constantemente (por mais que a gente não consiga concluir o que seria a tal ameaça), num efeito quase claustrofóbico -tudo isso muito bem disfarçado por uma "fachada" bonita e resistente, assim como o que acontece com o casamento de Dorothy e Sean (Tobby Kebell).

Eu poderia escrever muitos parágrafos falando sobre como eu comecei a ver The Servant com pouquíssimas expectativas e ela acabou se tornando uma das minhas produções favoritas recentemente, mas basicamente vou resumir dizendo que, devido à atmosfera de paranoia e angústia somadas a um dos ritmos mais peculiares -positivamente falando- entre as coisas que assisti nos últimos tempos, Servant me cativou e eu tô aguardando ansiosamente por mais uma temporada.

Classificação: 👻👻👻
Eu acho que nem saberia explicar, com palavras, o fascínio que The Servant exerceu sobre mim.
Existe sempre um clima denso de ameaça no ar mas a imprevisibilidade da história me ganhou.

Ratched



Apesar de já ter bombado muito em seu lançamento na Netflix, eu não poderia deixar Ratched, minha série favorita do momento, fora dessa lista.

Ratched conta a história de Mildred Ratched, retratando os fatos que acontecem antes do filme "Um Estranho no Ninho", onde a enfermeira sádica aparece pela primeira vez em uma produção audiovisual (antes, ela aparece no livro que inspirou o filme).

Na série, Ryan Murphy -criador de American Horror Story- nos leva à década de 1940, para o ponto em que, clandestinamente, Mildred consegue um emprego num hospital psiquiátrico onde experimentos perturbadores e questionáveis começam a ser feitos em seres humanos.
Mildred se apresenta como uma enfermeira perfeita para conquistar o emprego e, à medida em que executa seus planos meticulosamente articulados e ganha espaço, a conhecemos e vamos percebendo toda a escuridão que habita seu interior crescer e ocupar tudo ao seu redor.

Classificação: 👻👻👻👻
Tem que ter estômago para ver cenas de procedimentos como lobotomia e sessões de eletrochoque.
A direção de arte impecável esconde um culto à bizarrice. Amei. Manda mais! 🤣

Você curte Halloween?
Também curte assistir séries de suspense/horror? Quais foram suas últimas favoritas?

Apesar de amar maratonar séries, eu fiquei com vontade de fazer uma outra lista só de filmes também... o que vocês acham?

Por hoje é isso...
Bjs do Math e até a próxima!

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