Em tempos de crise política, social e, porque não dizer, de identidade, ter orgulho de ser brasileiro pode ser algo complexo...
Em meio ao caos instalado, nossas principais características, como hospitalidade e generosidade se confundem com o que respinga da lama e da sujeira que está em todos os lugare e voltar ao nordeste depois de algum tempo -exatamente nesse contexto- foi fundamental para que eu redescobrisse o valor das minhas raízes, não apenas como brasileira, mas também como nordestino.

Passar alguns dias observando o contrastes das cores, das formas e até mesmo de classes sociais em um mesmo lugar onde tudo transpira brasilidade foi uma imersão capaz de despertar pontos que estavam adormecidos em mim -desde a infância, creio eu. Isso porque nas minhas últimas vezes no nordeste, meu olhar estava voltado para coisas muito diferentes das que tem permeado meus pensamentos hoje; na verdade, as últimas eleições despertaram uma consciência que eu sequer sabia que existia em mim e isso muda tudo!

Outro fator importante para a percepção que tive de toda a viagem foi o fato de estarmos com pessoas de outras nacionalidades junto com a gente -uma amiga argentina com seu namorado alemão- e apresentar coisas nossas para amigos de fora nos faz pensar por frações de segundos nos significados de coisas simples da nossa cultura que no dia-a-dia são quase ignoradas, mas que durante esse tipo de diálogo, ganham outra proporção e reforçam como somos um povo criativo de forma muito singular e que isso é algo para se orgulhar.

E foi em meio a todas essas reflexões que Pernambuco se tornou um dos lugares favoritos em meu coração, por suas belezas naturais, pela riqueza -e orgulho- cultural, pelo acolhimento e por tantos outros motivos que você vai entender melhor vendo o vídeo e as fotos abaixo.


BOA VIAGEM

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Ficamos hospedados no Hotel Bugan, que ficava bem perto da Praia de Boa Viagem -além de ser bem perto do aeroporto também.
O hotel é novinho, todas as instalações estão em perfeito estado e a gente curtiu muito que o valor da hospedagem estava super honesto.
Esqueci de tirar fotos do quarto, mas mostro um pouco no vídeo, pra quem tiver interesse.
Não é um quarto super de luxo, mas é bem aconchegante e espaçoso o suficiente para duas pessoas se acomodarem de forma bem confortável.

Sobre a Praia de Boa Viagem em si, foi uma das partes que menos curti da viagem por motivos pessoais, pois não gosto muito de praias urbanas. Eu olho para todos aqueles prédios fazendo sombra na orla, na água e minha cabeça fica dizendo em loop infinito que aquilo tudo não deveria estar lá -além de elas geralmente serem mais cheias.
Mas não teria como não preencher ponto na lista, então passamos nossa primeira tarde lá e foi bom pra descansar.

Ainda sobre Boa Viagem, a melhor parte, pra mim, foi o show de forró pé de serra que assistimos no Quintal Estelita, um bar onde as mesas ficam literalmente no quintal, com um palco super fofinho, pequeno e acolhedor.
Eles tem uma agenda diversificada de atrações musicais (tipo de jazz a forró), então é bom dar uma olhada no instagram pra ver se tem algo que você curta no dia.
Achamos o serviço meio bagunçado (faltava ingredientes para fazer o que queríamos e acabamos mudando para hambúrguer, que era ok e nada mais), então a dica é ir preparado psicologicamente e sem muita fome, assim, você não se estressa e não tem uma experiência ruim.
Juro que, apesar desse deficit  no serviço, se você for mais pelo show, vale super porque o lugar é lindo, super charmoso e original e a atração musical tava impecável.

RECIFE ANTIGO

Reservamos um domingo para conhecer o Recife Antigo e foi um passeio super agradável.
Deixamos o carro que alugamos (super recomendado, tá) em um estacionamento e fomos andando, já que várias atrações dessa mesma área ficam super próximas uma da outra -isso pra não dizer coladas.

Eu tava super afim de conhecer a Feirinha do Bom Jesus, que fica ao lado do Marco Zero, em um dos pontos mais fofos da região, uma rua cheia de prédios históricos coloridos, com predominância de tons pastel (ou seja: 💖).

Já disse no vídeo e reforço que o ideal é chegar depois das 14h porque antes o lugar é bem parado e não há muito o que se fazer...
Quando a galera começa a chegar, fica tudo bem animado e aí vale a pena circular entre feira, praças e afins. 




PORTO DE GALINHAS

Sabe a história de alugar carro? Então... aqui ela faz mais sentido:
Porto de Galinhas fica bem afastada de Recife e estar com carro faz toda a diferença para tornar o passeio mais confortável.
Levamos aproximadamente uma hora e meia no deslocamento, chegamos ainda cedo e ficamos por horas ali aproveitando a água quentinha e apreciando a vista.
Fiz montes de fotos e takes de vídeo -que é algo que eu amo fazer em lugares bonitos- e na parte da tarde decidimos sair para ver o pôr-do-sol em um outro ponto que nos disseram ser bem interessante.
Porém, resolvemos conhecer a vila da praia logo e acabamos ficando por lá (tanto pelo fato de a vila ser super charmosa quanto por perdermos um pouco a noção de como o sol se põe mais rápido/cedo no nordeste).
Se você quiser conhecer a vila e ver esse pôr-do-sol famoso, recomendo que dê uma volta pela vila mais cedo -quem sabe, na hora do almoço- e saia da região não muito tarde.

Uma dica meio aleatória: a praia é maravilhosa, a água é super clarinha/cristalina, com uma temperatura maravilhosa e ainda permite que você veja peixinhos.
O único "problema" é que tem muitos recifes de corais e as vezes pode ser bem incômodo se deslocar, então, se você tiver uma sapatilha para mergulho, leve. Se não tiver, vale a pena comprar para aproveitar sem se preocupar o tempo todo com isso.


A Vila

Como já mencionei, a vila é linda, super charmosa e não é muito grande... com uma volta tranquila em alguns minutos, você já conheceu a rua com restaurantes, a feirinha de artesanatos e as outras atrações que estão por lá.
Eu não recomendaria hospedagem por lá porque eu sou atazanado demais para lugares pequenos. Acho que em, no máximo uma noite, eu daria uma surtada de leve, rs.
P.s.: vale ter repelente sempre por perto, tá?

OLINDA

Em uma viagem com tanta coisa linda para se ver o tempo todo, é difícil definir o que foi o auge, mas sem dúvidas, Olinda já é um dos meus lugares favoritos -e infelizmente a gente não conseguiu conhecer tudo, então, quero voltar para explorar mais, com mais tempo e calma.

Apesar de ter sido recepcionado com uma ameaça terrorista (rysos) de uma senhora me dizendo que se eu não guardasse meu gimbal, a galera da quebrada ia passar de moto, puxar da minha mão e nunca mais eu o veria de volta, foi tudo bem e eu, bem afrontosa que sou, não apenas usei gimbal como levantei drone (e quase gerei um pequeno incêndio passando ele no meio da queima fogos de artifício pois sou um viado muito V1D4 L0k4 sim senhora).

Como chegamos à cidade logo depois do carnaval, as ruas ainda estavam cheias de bandeirinhas, típicas das festas sazonais e acho que isso deixava tudo mais mágico ainda...
Subir as ladeiras, entrar nos bequinhos, observar os detalhes, cores e texturas de cada casinha... já fiz isso em várias cidades históricas e é sempre uma experiência nova, apesar de todas elas terem aquele clima bucólico em comum.

Fomos até o alto, pagamos para subir no Mirante Alto da Sé e a vista é maravilhosa, onde tudo da cidade se mistura em níveis e camadas diferentes.
Fechamos o dia almoçando (almoço de viagem, super fora de hora, com o sol se pondo) em um dos restaurantes lá do alto e, na volta, esbarramos com a festa de aniversário da cidade, que foi uma excelente despedida -com show de frevo ao vivo e queima de fogos, tá, kirida...

P.s.: a história do drone em meio aos fogos foi real, mas não por irresponsabilidade, tá? É que a bateria tava acabando e eu precisava trazer ele de volta para o lugar de pouso, que era perto de onde começou a queima de fogos -que eu não fazia a menor idéia que aconteceria quando levantei o vôo.
No fim, Sander quase infartou quando viu a marmota acontecendo no ar, mas deu tudo certo.








O que aprendi com Recife, Olinda e cada cantinho que passamos em Pernambuco foi que valorizar nossas origens e nossa história nos torna ainda mais únicos e ricos, nos rendendo capacidade de reinventar, remixar.
A gente vive hoje um momento muito novo onde a cultura pop está em alta no Brasil, onde algumas barreiras estão sendo rompidas e vibes regionalistas estão ganhando o mainstream e eu acho isso ótimo, só não podemos esquecer de conhecermos nossa história pela raíz, pois ninguém no mundo vai saber melhor do que a gente explicar o que é ser brasileiro!

Obrigado por me ensinar tanto em tão pouco tempo, Pernambuco.
Nos vemos em breve!

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