Acho que desde o começo, tinha tudo pra eu gostar da Melanie Martinez: os tons pastel (muito rosa), a estética retrô, o timbre suave que as vezes até lembra um pouco a Lana DelRey... mas sabe quando "o santo" simplesmente "não bate"? Então... não bateu.

Eu tentei ouvir o álbum (Cry Baby) no spotify algumas vezes e até que não achei de todo mal, mas também não me apaixonei.
Eu já havia me convencido de que realmente não ia rolar, até aparecer o vídeo de "Mrs Potato Head" na minha timeline de alguma das minhas redes sociais e eu concluir que a gente simplesmente precisa falar sobre esse clipe.

Meu objetivo com esse post não é tentar de convencer a gostar da Melanie, até porque né... nem eu sou fã da garota, mas senta aí pra gente fazer aquela terapia em grupo maravilhosa, vem!
Primeiro, dá um play aqui no vídeo, ó:


Enquanto eu via o vídeo, me lembrei de tempos atrás, quando eu ainda usava o snapchat e fiz alguns desabafos no app que ajudaram a me livrar de alguns complexos do passado e, entre os benefícios dessas sessões de terapia informais -através da verbalização-, comecei a aceitar meu cabelo natural, por exemplo.

Pra quem não chegou a ver esses snaps, talvez eu faça um dia um vídeo para o YouTube falando sobre a mesma coisa...
Em resumo, eu contei sobre o quão complexado eu era com a minha própria imagem desde a infância e em como uma mudança no corte de cabelo me ajudou a superar a barra que é se sentir constantemente insatisfeito com o que se vê no espelho, principalmente por não ser como o colírio na capa da Capricho ou o ator bonitinho do novo filme teen da Disney.

Pra vocês entenderem um pouco melhor: eu odiava minha boca e já estava decidido a juntar grana para fazer uma cirurgia plástica de redução.
E num momento de sobriedade mental (rs) eu refleti sobre esse impulso (com ajuda da terapia, que eu estava fazendo no momento) e concluí que, se eu mudasse a boca, provavelmente ia continuar vendo outras "imperfeições". Na verdade, talvez a cirurgia na boca pudesse ressaltar outras coisas com as quais eu já estava insatisfeito, como o meu nariz e o formato do meu rosto, por exemplo -eu já quis afinar o nariz e fazer preenchimento para ter o rosto mais quadrado.

Acontece que na época desses snaps, eu ainda usava chapinha e ela era meio que um paleativo, uma forma de disfarçar algo que eu ainda não tinha aceitado 100% e foi exatamente sobre isso que eu falei: as vezes a solução pode ser mais simples do que parece e estar bem na frente do nosso nariz. No meu caso, lá no passado, mudar o corte do cabelo e começar a usar chapinha me ajudou muito porque fez bem à minha autoestima.
Porém a vida é feita de evolução e amadurecimento, né... então, poucas semanas depois do desabafo no snap, de uma forma muito natural, percebi que eu já estava pronto para me livrar das "muletas" (a chapinha, no caso) e decidi me permitir conhecer meu próprio cabelo em sua forma natural.

Resultado: tô amando e continuo sem querer fazer cirurgia para reduzir a boca, rs; aliás, preciso dizer que não consigo me reconhecer nas fotos com chapinha.
E isso não significa que eu nunca mais volte a usar, mas significa que eu estou realmente bem e feliz com o que ganhei de presente da natureza, da vida e é exatamente esse o ponto: se usar chapinha ou pintar o cabelo de verde (ou até mesmo fazer uma lipo) vai te ajudar a se sentir melhor com você mesmo, siga sua intuição e arrisque sem medo, mas só se estiver fazendo isso realmente por você e não pelos outros, tentando se encaixar nos moldes da "perfeição" da indústria, que é exatamente o que o clipe da porralokinha da Melanie mostra, afinal, quando a gente deixa de ser quem a gente é, o resultado não pode ser outro: é infelicidade na certa.

A verdade é que a gente vive num mundo cada vez mais doente e cheio de pessoas tentando disfarçar seus problemas e vazios interiores com essa busca desenfreada pela perfeição e eu imagino o quanto deve ser desesperador, depois de se recuperar de uma intervenção cirúrgica, acordar e perceber que todo aquele investimento não solucionou o vazio ou a infelicidade que a pessoa estava sentindo por dentro.

E a gente não pode esquecer também que a diversidade é muito bela e o que nos torna especiais é exatamente o fato de sermos únicos, cada um com características, qualidades e defeitos diferentes.
Isso pode soar clichê? Sim; muito, eu sei.
Mas tente refletir sobre isso de forma mais ampla, ao invés de apenas deixar passar...
Tente se lembrar de quem são as pessoas mais especiais da sua vida e o que as torna tão especiais. Provavelmente não é a cor dos olhos, as roupas de grife ou o cabelo perfeito.
E analise também sua rotina: quando foi seu último momento de felicidade real? E o que te trouxe essa sensação? Tenho quase certeza de que não foi uma Ferrari ou um vestido assinado.

Tá vendo? Não é tão clichê assim... é verdade e só precisa de sentimento e reflexão pra fazer sentido.

Por fim, queria só dizer que continuo não sendo fã das músicas da Melanie, mas depois de ver o vídeo e analisar um pouco mais de perto o trabalho da moça, vou dar um pouco mais de atenção...

E se você gostou do que leu, compartilhe!
Coisas boas não devem ficar guardadas só pra gente, por isso, quando eu vi o clipe e comecei a refletir, concluí que precisava dividir com vocês, porque eu tô aqui pra passar coisas boas sempre que for possível.

E se vocês quiserem continuar a terapia em grupo aqui em baixo, eu vou adorar ler os comentários de vocês.

Bjs do Math e uma boa semana...

UPDATE:
Eu acabei me lembrando hoje, enquanto conversava com algumas pessoas sobre esse assunto no twitter, de um vídeo do Steven Meisel, um dos meus fotógrafos de moda favoritos, que foi dirigido por ele (para a Vogue) há 4 anos e nunca esteve tão atual. Se você tiver estômago forte e quiser levar essa reflexão para um outro patamar, é só apertar o play:



O vídeo, entitulado "Face The Future", é quase profético: quantas pessoas estão abrindo mão de suas feições humanas para formarem um exército de manequins deformados ambulantes, buscando juventude (representada no vídeo pelos cavalos, que também trazem a ideia de força, vigor) de forma tão obsessiva que sequer enxergam o mal que estão fazendo a si mesmos.
Amo muito esse vídeo e precisava também falar sobre ele.

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