foto max rocha

Eu lembro que nos primeiros dias de aula na faculdade, uma das colegas da turma pediu a um dos professores indicações de revistas de moda e a resposta foi algo tipo:

"Esqueçam Marie Claire, Cláudia, Manequim e afins. Se vocês tiverem acesso à revistas internacionais, ótimo. Mas aqui no Brasil só se salva a VOGUE. Talvez a ELLE"

A essa altura do campeonato, eu já tinha garantido minhas assinaturas da Vogue, da Estilo, da Glamour e da -falida e finada- Gloss.

Acontece que as revistas chegavam e eu nem tinha tempo de ler direito por causa da faculdade e dos jobs eventuais, o que somou-se ao fato de que eu já estava enjoado da mornidão (essa palavra existe mesmo?) e da mesmice que aumentam a cada edição, à falta de "interessância" de boa parte do conteúdo e de projetos gráficos pobres, falhos e antiquados -revistas de moda deveriam inovar, não? Era o que eu achava...

"Ihhh, gente... mas esse Matheus tá loka de ki-suco mesmo? Falando mal da Vogue, a bíblia da moda? Quem é esse menino na fila do pão?", pensarão os afoitos; mas não é nada disso...

Vou tentar explicar meu ponto de vista primeiramente deixando bem claro que respeito a inegável contribuição da Vogue para a história da moda contemporânea e não estou falando pra ninguém deixar de ler; mas "eu não sou obrigado a nada" e perdi o interesse por várias revistas de moda que estão em circulação por aí, assim como vários temas dentro do universo da moda em si, que está cada vez mais banalizada e "preguiçosa".
Se trata apenas de liberdade de escolha, portanto, não me atirem pedras ou ~umas Vogue~ na cara quando me encontrarem no meio da rua, por favor.
Obrigado, de nada.

A boa notícia é que em minhas andanças pela internet, descobri revistas menores (por serem independentes) e mais segmentadas que traziam em suas páginas exatamente o que eu queria ver: editoriais, cores e tutoriais lindos, menos interesse comercial e mais compromisso real com o público consumidor.
São as revistas mais fofas e inspiradoras que já li e eu queria dividir com vocês.
Tá afim de saber quais são?
Vambora então!

1. BETTY MAGAZINE

foto max rocha

A Betty tá em 1º lugar da lista porque ela é a nº1 no meu coração por vários motivos, entre eles o nome da revista, que por si só, já é bem fofo e a estética retrô sempre presente, desde a primeira edição.

Outra coisa com a qual eu me identifiquei e amo na revista: objetivo da Betty, que é fazer com que as pessoas percebam/descubram quem elas são de verdade, amem e celebrem isso, sendo mais autênticas e felizes. E isso não fica apenas no discurso... é fácil notar que a Betty não segue tendências de moda ou vai em busca das "peças desejo" da estação pra fazer seus editoriais, por exemplo, pois o compromisso da publicação é com pessoas de verdade, seus sonhos e seus gostos e não com o que o mercado está dizendo para fazermos.

 Editoriais fofinhos e retrô

 Receitinhas saudáveis



Uma curiosidade sobre a Betty: ela surgiu  como trabalho de conclusão de curso de dois amigos estudantes de moda, ou seja, ela vem de um sonho (eu entendo porque durante o curso também pensei muito em começar uma revista independente -e ainda não descartei a idéia. Aliás, eu até já fiz uma aqui pro blog, vocês já viram? Dá pra ler ela aqui)

Quer provar dessa tortinha deliciosa de nostalgia e doçura que é a Betty?
Você pode comprar edições digitais aqui e ler o blog (fofo) da revista aqui.

2. FRANKIE MAGAZINE

max rocha

Olhe as imagens abaixo e me diga se a Frankie não merece o prêmio de capas mais fofas da galáxia:

Capa bordadinha. Ai, meu corassaum


Na versão para tablet, as capas são animadas

Além das capas sensasionais, nas páginas da revista -também independente- australiana você vai encontrar dicas incríveis de decor, fotografia, ilustração, design e muitas outras coisas, tudo com pegada bem orgânica e disposto com maestria em páginas com diagramação linda e apaixonante.
Tudo bem maravilhoso e fechativo assim, ó:



Preciso falar mais alguma coisa?
Acho que não, né...
Não faz a Katia cega, miga. Compra logo sua versão digital aqui.

3. PAULETTE

foto max rocha

Paulette é autêntica, simples, fofa e PHYNA, como toda francesa que se preze. Rs.

A cada edição, a revista traz um tema diferente do começo ao fim que é explorado do começo ao fim; nessa da foto aí em cima, por exemplo, com a blogueira Betty Autier, tudo girava em torno de gatos: os tutoriais de DIY, as ilustras, os editoriais etc.

O que eu mais gosto na Paulette?
A linguagem leve, informal e fresh, como toda terem todas as revista direcionadas ao público jovem (a Capricho já chegou perto um dia mas infelizmente hoje passa bem longe).





Diferente das 2 revistas anteriores da lista, Paulette dá maior destaque à moda, porém, o assunto é tratado de forma original e bem pé no chão, com cara de garota francesa esperta, antenada e sem mimimi.

Curtiu? Dá pra comprar aqui.

4. BRICKS MAGAZINE

foto max rocha

A Bricks é uma nova (tá na segunda edição agora) revista de fotografia de moda independente inglesa.
A proposta de seus criadores é trabalhar com moda, fotografia, styling, arte e design na mesma medida, mesclando novos talentos com gente já estabelecida no mercado para criar algo novo, contemporâneo e único.

Ela praticamente não tem texto, então, a parada é mais leitura visual mesmo, com referências estéticas que mesclam harmonização de cores, desconstrução imagética e uso de elementos orgânicos.




A primeira edição da Bricks me arrebatou fácil pelo uso predominante de tons pastel, mas a segunda já saiu e me surpreendeu por trazer outros ares e referências.
Vale muito a pena dar um voto de confiança.
Confira o site da revista clicando aqui.

5. CATALOGUE LOOKBOOK ARGENTINA

foto max rocha

Durante minha viagem a Buenos Aires, fiquei apaixonado pelo estilo dos porteños; achei lindo o jeito despretensioso (e pensado ao mesmo tempo) como eles se vestem e fiquei curioso pra saber quais eram suas fontes de inspiração e como seus looks estavam relacionados com a cultura local.

Em minhas andanças pelas ruas e shoppings, logo de cara notei que as marcas locais tem muita personalidade e investem forte em construção de imagem e conceito em suas campanhas e na estética das lojas, desenvolvendo um trabalho de branding lindo de se ver.

Mas eu não tava satisfeito em saber apenas isso e um dia no quarto do hotel a noite fui procurar algum programa que falasse sobre a moda local e descobri pouca coisa -quase nada- sobre a semana de moda de Buenos Aires; como a TV não ajudou, minha estratégia foi passar nas bancas de revista procurando por alguma publicação local focada em moda.




Foi aí que eu notei que algumas revistas que temos aqui no Brasil circulam por lá em versão latino-americana -caso da Vogue, por exemplo; mas eu queria saber particularmente sobre a moda em BsAs e não de toda a América Latina (pelo menos não naquele momento).
Eu não encontrava nos meus critérios e quando eu já estava quase desistindo, achei uma revista bem grossa de publicação local que me chamou a atenção pela capa: a Catalogue, que é tipo um livro semestral com o resumo das tendências e uma lista gigante de "it-peças" com as coordenadas para o local de compra.




O que eu mais gosto na Catalogue é a forma sólida e consistente como a equipe editorial constroe os conceitos através de imagens, o que deixa claro através da fotografia, do styling e da diagramação a relação que o povo porteño tem com o design.

Na contramão das anteriores, a Catalogue não é uma revista fofinha e tem como foco o comercial, porém, faz isso de forma conceitual e poética (ou seja, LYMDA).

Não dá pra comprar online, mas o site é incrível e se você for a Buenos Aires, pode procurar nas banquinhas também!

E aí, o que acharam? Já conheciam alguma das revistas?
Conhecem alguma que deveria estar na lista?
Me contem... :D Vou adorar saber.

Bjs do Math e até a próxima!

Fotos: Max Rocha
Foram utilizados prints de edições e imagens dos sites das revistas.


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