Me perguntam o tempo todo sobre processo criativo e eu me sinto lisonjeado que as pessoas vejam isso em mim, pois criatividade é uma das coisas que mais me encantam na vida -e algo que sempre tento desconstruir através do meu trabalho, seja nas redes, seja em workshops/talks é aquela idéia errônea e distorcida de que a criatividade é uma bênção entregue pela pomba do espírito santo à uma classe privilegiada da humanidade, escolhida a dedo para se tornarem "Os Criativos".

E acontece que enquanto assistia o documentário "Como o Cérebro Cria" (The Creative Brain) na Netflix aqui em casa no último fim de semana, só pensava em compartilhar com vocês esse material incrível que ajuda a reforçar o que sempre digo em relação à criatividade: se trata de treino, afinal, como tudo na vida, quanto mais se pratica/exercita, melhor fica.

O filme é resultado de vinte anos de estudos do neurocientista David Eagleman sobre o cérebro humano e explora a criatividade em diversos nichos e segmentos, o que é o grande trunfo do documentário pra mim: já começa mostrando áreas que tem como base a criatividade, mas que as pessoas em geral não associam, como a nanotecnologia.

David mostra como a criatividade está sempre presente presente na ciência, na matemática,  na tecnologia etc e deixa claro como impulsionar a criatividade pode formar indivíduos mais capacitados para encarar o mundo de forma empática, por exemplo, além de questionar o conceito de originalidade, já que ser criativo não se trata de criar algo novo do zero, mas de repensar e ressignificar o que é trivial, o que já faz parte da nossa rotina de forma ordinária.

Dentre os tantos pontos interessantes no documentário, um dos que mais me tocaram foi a abordagem sobre o fracasso, reforçando que os erros devem ser vistos como oportunidades de aprendizado e não como uma derrota.

Mais um fator que me fez amar o material com todas as forças foi o olhar honesto, empático e democrático sobre a criatividade, reforçando o tempo todo que ela é uma capacidade humana, logo, está em TODOS nós, inclusive em lugares remotos e marginalizados como os presídios -sério, você já tinha parado alguma vez para pensar em quanta criatividade está sendo desperdiçada em um lugar como esses? Pois sendo bem honesto: eu nunca.

Como se tudo isso não fosse mais do que suficiente para o documentário se tornar obrigatório na vida da gente, ainda tem um bônus: David apresenta formas de aprimorar o seu processo criativo através de passos simples e possíveis para todos, que exigem apenas um pouco de auto observação e novas práticas, tudo sob a ótica do seu estudo de anos sobre o tema.
Além disso, todos os profissionais que compartilham suas histórias e processos no filme tem um background incrível e já fica a dica de anotar o nome de todo mundo e ir atrás depois, para entender melhor e mais a fundo as referências, inspirações e processos de cada um.

O trailer do documentário (infelizmente só achei em inglês) tá aqui em baixo pra quem tiver interesse em assistir:



"Como o Cérebro Cria" tem um ritmo empolgante, super dinâmico, e em alguns momentos eu senti até um leve incômodo por conta do frenesi -o que eu interpretei como uma forma de aguçar os sentidos de quem assiste.

Só queria abraçar esse o David e ficar agarrado nele por uns anos seguidos agradecendo por esse estudo tão maravilhoso que explica muito do que eu sempre tive na minha cabeça mas não fazia ideia de como decifrar.

Minha avaliação final do filme: o único problema é que ele acaba.

Ficou empolgad@? Quer aproveitar o restinho do fim de semana pra mudar sua visão sobre criatividade também? Clica aqui pra assistir ;)

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